João é o Pé de Feijão
Uma história de coragem
Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe em uma pequena e humilde casa no campo. Certa manhã, um som súbito, terrível e estrondoso ecoou pelo quintal, fazendo o chão parecer tremer.
— Terremoto! O céu está caindo! — gritou João, encolhendo-se de medo.
Mas, ao abrir os olhos e olhar ao redor, percebeu que não era o céu desabando. Era apenas a sua velha vaca.
— Ah, Mimosa, é você? — disse o menino, soltando a respiração aliviado. Ele conhecia bem aquele som. — Hum, eu sei. Esse mugido é de fome, né? Eu também tenho fome. Vamos ver o que a mamãe tem na cozinha.
João correu para dentro de casa e procurou nas despensas, mas não havia um único grão de arroz. Os potes estavam todos vazios.
— Bom dia, mãe. O que temos para o café da manhã? — perguntou ele, esperançoso.
— Temos cereal de imaginação, João. De novo. — suspirou a mãe, com o olhar cansado. — E a Mimosa não deu leite hoje. Ela está velhinha, João. Agora só dá trabalho. Coitadinha da Mimosa, mas nós precisamos vendê-la.
— Mas a Mimosa é parte da família! — protestou o menino.
— Eu sei, filho, mas infelizmente é a única solução que temos no momento. Leve-a ao mercado e traga moedas suficientes para enchermos esta tigela com comida de verdade.
Tristonho, João pegou a corda de sua amiga malhada e partiu.
— Olha, Mimosa, você tem sorte que eu gosto muito de você. Vai dar tudo certo. — consolava o menino enquanto caminhavam. — Mimosinha, minha linda vaquinha... você é minha amiguinha. A barriga ronca, não tem nada no prato, vamos para a estrada vender você no mercado. Ai, que saudade que vai dar.
Perdido em seus pensamentos, João acabou pegando o caminho errado. Foi então que uma figura curiosa surgiu em sua frente.
— Saudações, jovem viajante! E saudações, nobre criatura malhada! — disse um homem misterioso com um sorriso enigmático. — Para onde vocês vão?
— Olá, senhor. Estou indo ao mercado. Preciso vender a Mimosa e voltar com moedas para comprar comida.
— Moedas? Moedas são pesadas. O que você precisa é de magia! — O homem abriu a mão e revelou pequenos grãos brilhantes. — Veja só que maravilha. Eu troco esses feijões pela sua Mimosa.
— O quê? Feijões? Não posso trocar minha Mimosa por alguns feijões!
— Ora, menino, pense bem. São feijões mágicos. Se os plantar hoje à noite, pela manhã terá a maior sorte do mundo.
Encantado pela promessa, João pensou que sua mãe adoraria, afinal, magia era muito melhor que comida. Ele aceitou a troca e correu de volta para casa.
— Mãe, cheguei! — anunciou, orgulhoso.
— João! Feijões?! Você trocou a Mimosa por feijões mágicos?! — A mãe levou as mãos à cabeça, inconformada.
— Mas mãe, o homem disse que são especiais...
— Especiais, João? Não existe mágica quando a barriga ronca!
Furiosa e frustrada, ela atirou os grãos pela janela. João foi mandado para a cama sem jantar, o que, no fim das contas, foi fácil, já que não havia jantar de qualquer maneira.
Lá fora, a sementinha bem pequenininha caiu na terra fofa e dormiu em sua caminha. Mas, durante a noite, a mágica brilhou. O brotinho despertou e começou a crescer. Subiu, subiu de montão, rasgou as nuvens de algodão, tornando-se mais alto que a casa, mais alto que o próprio céu.
Na manhã seguinte, ao ver a gigantesca árvore de feijão no quintal, João ficou maravilhado.
— A mamãe disse que não existia mágica. Vou provar que ela estava enganada! — E sem pensar duas vezes, começou a escalar.
Ele subiu até atravessar as nuvens e, no topo, encontrou um cenário de tirar o fôlego: tudo ali era gigante, incluindo um enorme castelo que se erguia à sua frente. Ao entrar na imensa cozinha, João deu de cara com a senhora do castelo, a esposa de um temível gigante.
— Ah, que gracinha! Um ratinho de chapéu? — perguntou a mulher gigantesca.
— Não, senhora! Eu sou um menino e estou faminto. Por favor, não me devore! — implorou João.
— Ah, um menino. Você é tão fofinho. Claro que não vou te fazer mal. Mas o meu marido, ah, esse gosta de devorar pequenos como você!
De repente, um estrondo fez o chão tremer como um verdadeiro terremoto.
"FI-FE-FI-FA-FUM! Sinto cheiro de gente pequena!"
A voz grossa do gigante ecoou pelos corredores. A esposa rapidamente escondeu João. O gigante farejou o ar, mas sua esposa o convenceu a ir para a sala. Escondido, João observou o gigante ordenar que lhe trouxessem seus tesouros para se divertir: uma harpa mágica que tocava sozinha e uma galinha que botava ovos de ouro.
Percebendo que os animais eram prisioneiros e pareciam tristes, João esperou. A música suave da harpa logo fez o gigante cair em um sono profundo. Era a sua chance.
— Vamos. Vou tirar vocês daqui. — sussurrou João, pegando a harpa e a galinha.
— Ei, quem mandou parar a música?! — O gigante acordou num sobressalto, e viu o João com seus tesouros. — Ei, seu ladrãozinho, volte aqui!
João correu como o vento. Não perdeu nenhum momento. Deslizou pelo pé de feijão, ouvindo os passos pesados do gigante logo acima dele. Cabrum! Bum! Bum!
— Mãe, rápido, o machado! — gritou João assim que seus pés tocaram o solo do quintal.
Com golpes certeiros e desesperados, ela cortou o tronco do imenso pé de feijão. A planta monumental cedeu e desabou, impedindo o gigante de descer e ameaçar sua família.
— Olha, mãe, elas eram prisioneiras do gigante. Elas podem ficar com a gente? — perguntou João, mostrando a harpa e a galinha.
— Claro, João. Você é um herói! — sorriu a mãe,
A galinha logo colocou um ovo de ouro em sinal de gratidão e a mãe disse
— Olha João, nunca mais passaremos fome de novo.
Mais tarde, enquanto a mãe preparava um banquete farto, João foi até o celeiro. Ele estava arrumando o antigo cantinho da Mimosa, com um olhar nostálgico.
Ao chegar em casa:
— Onde você estava, filho? — perguntou a mãe.
— Estava arrumando o cantinho da Mimosa... Ah, mãe, será que um dia vamos ver ela de novo?
— Olha, João, tudo é possível nessa vida.
E, como se as palavras tivessem atraído mais um pingo de magia, um som conhecido ecoou pela estrada. Era a Mimosa! Ela havia voltado sozinha, sã e salva.
— É um milagre! Nossa família está completa novamente! — celebrou João, abraçando a velha amiga.
Longe dali, no alto de uma colina, o misterioso homem dos feijões observava a cena. Ele deu um sorriso sereno, virou as costas e desapareceu no ar, como num passe de mágica.
Fim.
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